sexta-feira, 27 de maio de 2011

O QUE SE APAGA

A chama ardeu monstruosa
Queimou tudo ao redor
Em brasas devastou sem piedade
Mas agora se apaga.

Não há fogo que perdure a eternidade
Não há pira que se firme em fealdade
Nem amores que sublimem o espírito
Tampouco paixões perpetuadas na alma.

Tudo se finda, basta ter início
Um fósforo começa o incêndio
Uma centelha destrói um edifício
Ausência causa esquecimento.

A chuva apaga a fogueira
O ardor se finda com o frio
As brasas terminam em cinzas
Do amor, as cicatrizes ficam.

O tempo se encarrega do destino
A dor é voraz, mas acordar é preciso.
Não há tristeza que dure o infinito
Nem mágoa que resista ao estio.

Passa, tudo passa nesta vida sem sentido
Até mesmo a melancolia da partida.
Tudo passa, até mesmo a mácula
De um verdadeiro amor perdido em mentiras.

Se a chama ardia, já não arde.
Se o fogo queimava, já não queima.
Se as feriadas doíam, já não doem.
Se o coração aquecia, já não aquece,
— agora é frio.

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